Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 21 de setembro de 2021

Educação

Saúde Mental e os desafios para os profissionais da educação

O ex-secretário de Educação de Serra Talhada, Israel Silveira, conversou com o Jornal do Sertão sobre os desafios vivenciados pelos docentes no curso da pandemia, em especial do atual momento de retomada das aulas presenciais

Postado em 15/09/2021 2021 07:46 , Educação. Atualizado em 15/09/2021 17:46

Jornalista , Editor Antônio José em Educação

 

 

Imagem App Canva

 

A pandemia causada pela Covid-19 mexeu com o calendário escolar, com a rotina de alunos, professores e me demais trabalhadores da educação, revirou o dia a dia das famílias com crianças e jovens em idade escolar e tornou-se um desafio para manter a saúde mental de todos os envolvidos. 

Agora, com o avanço da vacinação, as escolas públicas e privadas estão migrando do ensino remoto para os espaços controlados da sala de aula. Nada está “normal”, o medo ainda se faz presente. A pandemia não acabou e nem os desafios da educação.

O ex-secretário de Educação de Serra Talhada, Israel Silveira, doutor em Ciências da Educação (UAA) e mestre em Gestão Pública (UFPE), conversou com o Jornal do Sertão sobre os desafios vivenciados pelos docentes no curso da pandemia e no atual momento de retomada das aulas presenciais. 

Israel Silveira, doutor em Ciências da Educação (UAA) e mestre em Gestão Pública (UFPE) aponta desafios e superações para os professores/arquivo

Para o educador, independentemente da escola em que leciona, seja ela pública ou privada, o professor precisou se reinventar para atender às necessidades dos alunos e as exigências pedagógicas.   

“O processo de adaptação do professor à nova realidade pedagógica passou por uma necessidade de reinvenção para um atendimento na perspectiva da pedagogia da presença, não mais física, mas virtual. Nesse sentido, os professores precisaram se apropriar dos recursos tecnológicos sincronizados, aplicados em plataformas de interação virtual. A exemplo das plataformas Zoom e Google Meet. Necessidade de gravar vídeo aula, gerar documentos avaliativos em plataformas como a Google Forms”, lembrou Silveira.

Entretanto, mesmo que as aulas remotas, aos poucos, estão migrando para aulas presenciais, a realidade é que os profissionais de educação ainda não tiveram a experiência plena de adaptação ao ensino à distância em todas as etapas do ciclo educacional, avalia o ex-secretário de Educação. 

“Não houve ainda essa adaptação plena. Acreditamos que ela ainda está em processo. Professores conseguiram provar para si mesmos e para sociedade a sua capacidade constante e heróica de reinventar as suas práticas pedagógicas e desenvolver metodologias conforme os cenários que se configuram. Não houve preparação e nem orientações também no sentido de municiar os professores. Mas, com tudo isso, os professores vêm conseguindo fazer esse atendimento remoto com os alunos”, elogiou Israel.

Tempo x espaço

Não é exagero dizer que o ensino remoto mexeu com o espaço e com o tempo pedagógico. “Quando em sala de aula física, o professor tinha uma carga horária definida, um tempo de chegada, de término, de orientação aos alunos. Agora com as aulas remotas, precisou-se de um atendimento remoto mais ampliado. E esse tempo ficou ilimitado no sentido do professor necessitar, quase que integralmente, atender aos seus alunos. Porque esse atendimento, além de um momento coletivo também se configura em atendimentos com chamadas individuais para tirar dúvidas de alunos, levar mais orientações em tempos não controlados pelo professor. Ou seja, a qualquer momento. Tarde, manhã, noite e feriados”, destacou o educador.

Medo contínuo 

Provavelmente, muitos se preocuparam com a carga mental imposta pela pandemia aos estudantes. Mas para os educadores, o ensino híbrido e agora o retorno gradual à sala de aula vieram acompanhados do medo e prejudicam a saúde mental dos professores. 

“Já existem estudos sobre isso, que fatores psicossomáticos que afetam o psicológico dos professores se fazem presentes no exercício da docência. Com a pandemia, os sistemas de ensino, a partir de março/abril de 2020, quer sejam sistemas públicos ou privados, de algum modo se organizaram para que os profissionais da educação desenvolvessem um trabalho híbrido”, opinou.

Segundo o educador,  para as famílias e os alunos foi dada a condição opcional. Já para os professores não foi concedida essa condição, exceto para aqueles que declararam alguma comorbidade. Os que não tem, tiveram que desenvolver o trabalho presencial em uma zona de risco. “Mesmo com a capacidade reduzida em sala de aula, no geral se tinha uma reunião na escola de 200,300 alunos, a depender do tamanho da escola, em contato, em momentos de refeição, em momentos em que, naturalmente, a máscara saia da face, ainda sabendo que ela não é totalmente segura”, destacou Israel.

Urgência da Saúde mental

Israel Silveira pontuou ainda que surgiu uma nova demanda para o exercício da docência por causa da pandemia. Se antes os saberes básicos dos professores para lerem as necessidades de auxílio psicológico dos alunos, agora é o próprio educador que necessita manter a saúde mental para atravessar a pandemia e todas as mudanças que ela trouxe consigo.

 “Os professores, apesar da formação elementar em aspectos psicológicos, não são os profissionais credenciados para cuidar da mente, nem de si mesmo, nem dos alunos. No entanto, na ausência dos profissionais da psicologia nas escolas, o professor acaba, de certa forma, tendo que cuidar de si mesmo e dos alunos. Em virtude dessa pandemia, a forma negativa que os professores estão sendo afetados, expõe um cenário de que os sistemas de ensino precisarão inserir profissionais habilitados para cuidar da saúde mental para que dê um suporte aos profissionais da educação, principalmente os da docência, e aos estudantes”, finalizou o educador.

 JS DIGITAL – Jornalista Carol Souza  / Editora Luciana Leão