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Pernambuco, 17 de junho de 2026

Agronegócios

Chove chuva, chove sem parar. Por Geraldo Eugênio

O vento foge e a temperatura sobe Este ano, até o final de agosto contou-se com dias amenos no Sertão. Uma temperatura diurna que não passava de 30°C, chegando, durante à noite, a uma agradável entre 21 e 23°C . Ao iniciar setembro, a situação mudou pouco a pouco e, em três semanas esta temperatura […]

Postado em 11/11/2021 18:00

Jornalista ,

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

O vento foge e a temperatura sobe

Este ano, até o final de agosto contou-se com dias amenos no Sertão. Uma temperatura diurna que não passava de 30°C, chegando, durante à noite, a uma agradável entre 21 e 23°C . Ao iniciar setembro, a situação mudou pouco a pouco e, em três semanas esta temperatura tinha se alterado em ao menos 7°C graus. Durante o dia ou durante a noite. Aí é quando se sente o que de fato é o Sertão. O vento se esconde e uma folha não se mexe. O ar passa a ser quente e o desconforto não é pequeno, em especial quanto o descanso é fundamental.

A chuva do caju ou do preparo das terras

Como diz um amigo, tudo que Deus faz é bom e este intervalo tem sua função técnica. As chuvas que começaram a retornar desde a semana passada são também conhecidas como chuvas do caju. A diminuição da umidade e o aumento das temperaturas do solo, nos meses entre agosto e outubro, servem para dotar as plantas de estresse hídrico e forçarem a responder à chuva provocando uma explosão de flores e frutos. Aí ganha o caju que de uma hora para outra ver seus pés repletos de flores, frutos e sementes que se dispersam pelo vento, pelos insetos ou pelos morcegos. Nunca se viu gostar tanto de caju. Pegam o fruto e vão saborear em outro local que elegeram para a ceia. Embaixo dessas árvores normalmente se instalam viveiros de mudas de caju sem que se saiba de onde aparecerem as sementes. Para o produtor precavido também é tempo de coletar solos para a análise, aplicar o calcário e o gesso. São produtos a serem aplicados na época correta de modo a reagirem com as partículas de solo e serem úteis na correção da acidez e no deslocamento do Alumínio tóxico para as camadas inferiores do perfil, podendo ocorrer entre dois e três meses.

A recuperação da caatinga, seu cheiro e sua aparência

Testemunha-se o esverdear de nosso cenário cinza. As serras são pintadas de verdes em várias tonalidades e a grama volta a ser um tapete. Sobe aquele cheiro típico da chuva, seguindo-se das essências produzidas pela flora, a fauna e a microbiota que compõem a Caatinga. As plantas sabem que devem ser rápidas e farão tudo para aproveitar a água que cai. Esta reação é tão interessante que em alguns casos raízes crescem em períodos de dois dias. A palma forrageira que há pouco tinha uma aparência coriácea, de sola de sapato, incha e se mostra como um verdadeiro manjar para os animais.

Não apenas as plantas, mas a vida explode sobre o Sertão

Esta mudança de aspecto não é apenas observada entre as plantas e os animais silvestres, as pessoas também mudam de humor e, apesar dos insetos que invadem as casas, normalmente um sorriso largo volta às faces ao ver a água escorrer pelos telhados de cumeeira abaixo trazendo o anúncio de que em breve o carro pipa já

não será tão essencial como até semanas atrás.Quem começa a se mexer nas garrafas de plástico ou nos silos de metal, plástico ou de madeira são as sementes. O milho, o feijão de corda, o feijão guandu, a fava, a abóbora e a melancia já aguardam o momento de voltar a sentr o contato com a terra molhada, absorverem a água que for possível, intumescerem e começar o maravilhoso processo de germinação emitindo pequenas raízes e folhas que em pouco tempo apontam para o céu e se mostram cada dia mais faceiras e charmosas.Não se enganem, elas estão ávidas para também produzirem seus frutos, serem consumidas e fecharem um ciclo que se renova a cada ano desde quando o homem trocou a caça e a coleta pelo cultivo e passou a ser um agricultor. A primeira parte está pronta, resta torcer para que após o plantio a chuva não se vá por muito tempo e a cada semana dê as caras, traga consigo um pouco de água principalmente quando o milho começar a soltar o pendão e a boneca.

Um adeus a dois grandes personagens do Sertão

A semana que passou dois grandes amigos e personagens do nosso Sertão nos deixaram e passaram para uma outra dimensão. O nosso querido editor, escritor, jornalista Antônio José, que fundou e lutou pelo Jornal dos Sertão ao longo dos últimos anos e o grande amigo, engenheiro agrônomo do IPA, Gabriel Maciel. Um dos mais preparados técnicos da agronomia nacional, ex-Secretário de Agricultura de Serra Talhada, do Estado de Pernambuco e do Ministério da Agricultura, dentre tanto que fez. Esses dois deram tudo de si, contribuíram com o máximo de boa vontade para com o Sertão e nos deixa a saudade e a responsabilidade de procurar suprir suas ausências, o que é uma tarefa extremamente difícil. Até lá, meus queridos amigos Gabriel e Antônio José. Vocês estarão sempre presentes.

Serra Talhada, 09 de novembro de 2021