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Pernambuco, 27 de maio de 2026

Agronegócios

Pernambuco sai na frente e exporta uvas sem tarifa para a Europa após acordo histórico

Operação histórica em Petrolina marca início prático do acordo Mercosul–União Europeia e abre nova fase para o agronegócio brasileiro

Postado em 27/05/2026 08:44

Pernambuco protagonizou um marco para o agronegócio nacional ao realizar, na última sexta-feira (22), o embarque da primeira carga de uvas brasileiras com tarifa zero para a União Europeia. A operação ocorreu em Petrolina, no Sertão do estado, e representa o início efetivo de uma nova dinâmica comercial impulsionada pelo acordo entre Mercosul e União Europeia.

O lote inicial seguiu em contêineres rumo ao Porto de Suape, inaugurando um novo fluxo logístico que promete reduzir custos e ampliar a competitividade da produção do Vale do São Francisco — principal polo exportador de frutas do país.

Fim da desvantagem competitiva

Até então, a uva brasileira enfrentava tarifas entre 8% e 14% para entrar no mercado europeu. Com a eliminação imediata dessas taxas, o Brasil passa a competir em condições mais equilibradas com grandes exportadores do Hemisfério Sul, como Chile, Peru e África do Sul.

A mudança é considerada estratégica, especialmente durante as chamadas “janelas de consumo”, períodos de maior demanda internacional, nos quais os concorrentes já tinham vantagens comerciais.

Europa: mercado-chave para o Nordeste

A importância do mercado europeu para o setor é expressiva. Atualmente, cerca de 75% da uva exportada pelo Vale do São Francisco tem como destino países da União Europeia.

Em 2025, o Brasil exportou 62 mil toneladas da fruta, gerando US$ 158,7 milhões — crescimento de 5,62% em relação ao ano anterior.

Pernambuco lidera esse cenário, sendo responsável por 41,5% da produção nacional, com mais de 755 mil toneladas colhidas.

Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, a abertura comercial insere o país em um mercado de escala global.
“A Europa importa trilhões de dólares por ano. É nesse ambiente que o Brasil passa a competir sem o peso das tarifas”, destacou.

Mais previsibilidade e novos contratos

Com a tarifa zero permanente, produtores deixam de depender de estratégias sazonais para evitar períodos de maior tributação. Isso traz mais previsibilidade ao setor e permite ampliar o tempo de oferta da fruta no mercado internacional.

A expectativa do Ministério da Agricultura é que a medida estimule a assinatura de contratos de longo prazo com grandes redes varejistas europeias, que exigem regularidade e volume constante.

Além disso, o avanço deve impulsionar investimentos em infraestrutura logística no Nordeste, como centros de armazenamento refrigerado e unidades de processamento.

Um acordo de impacto global

O acordo entre Mercosul e União Europeia é considerado um dos maiores tratados comerciais do mundo, conectando mais de 700 milhões de consumidores e cerca de 20% do PIB global.

Entre os principais pontos:

  • Eliminação de tarifas para 99% dos produtos agrícolas do Mercosul
  • Abertura imediata para produtos perecíveis, como frutas frescas
  • Redução gradual ou cotas para setores sensíveis, como carnes e açúcar
  • Exigências ambientais e critérios de rastreabilidade alinhados ao Acordo de Paris

Efeito dominó no agronegócio

O sucesso inicial da exportação de uvas deve servir como modelo para outras culturas do Nordeste, como manga e melão, que também terão tarifas reduzidas ao longo dos próximos anos.

A expectativa é que Pernambuco continue na linha de frente desse movimento, consolidando o Vale do São Francisco como um dos principais hubs de exportação de frutas do mundo.