
Vale do São Francisco será o 1º no Brasil com Indicação Geográfica de vinhos tropicais
A expectativa do setor é de que até dezembro deste ano a IG seja reconhecida, segundo informou com exclusividade ao JS, o coordenador do projeto de implementação da IG de vinhos finos e espumantes do VSF, Giuliano Pereira
Postado em 11/05/2022 11:00

“Todas as etapas estão sendo seguidas, e a aprovação e reconhecimento deve ocorrer até dezembro de 2022”, assegura Giuliano Pereira. Foto: Arquivo Pessoal
Se tudo prosseguir como planejado, o Vale do São Francisco será o primeiro no Brasil a possuir Indicação Geográfica para produção de vinhos tropicais no mundo. O processo de certificação de reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) iniciou em dezembro de 2020, quando foi feita a solicitação pelo Instituto do Vinho do Vale do São Francisco (VinhoVasf) ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial-INPI, órgão vinculado ao Ministério da Economia.
A expectativa do setor é de que até dezembro deste ano a IG seja reconhecida, segundo informou com exclusividade ao JS, o coordenador do projeto de implementação da IG de vinhos finos e espumantes do VSF, Giuliano Pereira, também pesquisador da Embrapa Uva e Vinho.
Giuliano foi quem liderou o projeto, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre 2013 e 2018. O pesquisador explicou que o processo está bem encaminhado. “Todas as etapas estão sendo seguidas, e a aprovação e reconhecimento deve ocorrer até dezembro de 2022. Normalmente cada processo demora entre 18 a 24 meses, ou seja, estamos dentro do prazo necessário estipulado pelo INPI”, revelou.
Visibilidade para o mercado
Os benefícios de uma Indicação Geográfica (IG) além de aumentar a visibilidade e a divulgação dos produtos no mercado, tem como consequência direta agregar valor aos vinhos produzidos na região.
“Além de promover a união e organizar o setor vitivinícola regional, uma Indicação Geográfica insere melhorias no processo de produção das uvas e consequentemente melhorias na qualidade dos vinhos”, aponta o pesquisador da Embrapa e coordenador do projeto.

Modelo europeu de excelência

Projeto contou com equipe formada por 30 profissionais de sete instituições do setor na região. Foto: Divulgação
A IG dos vinhos do Vale do São Francisco – VSF seguiu o modelo europeu, com todo rigor necessário, e será a primeira IG de vinhos tropicais do mundo, acrescenta. Sobre as especificidades para ter a tão sonhada certificação de excelência na produção de vinhos, Giuliano Pereira afirmou que no Vale, o Terroir, palavra francesa que significa os efeitos do clima, do solo e do homem na qualidade de um vinho é único no mundo.
“O reconhecimento da IG pelo INPI reforçará a qualidade e a tipicidade dos vinhos do VSF, enfatizando a importância socioeconômica que os produtos têm não somente na região, mas em todo o Brasil”, disse Giuliano.
Diferente de outras regiões produtoras de vinhos no Brasil, o Vale do São Francisco tem como especificidade a capacidade de uma videira produzir duas safras por ano, bem como a de escalonamento das podas e das colheitas ao longo do ano. Essas características únicas são detalhadas no dossiê enviado ao INPI, e contribuirá de forma decisiva para o reconhecimento e aprovação do pedido junto ao órgão responsável pela Indicação Geográfica.
Efeitos
Giuliano avalia que a procura dos vinhos deve aumentar muito, assim como ocorrerá um aumento significativo no valor agregado. “Toda a cadeia produtiva da uva e do vinho é beneficiada”, comentou.
Uma IG pode mudar a história de uma região, assim como ocorreu com a primeira IG do Brasil, em 2002, a do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul. A atração e promoção do enoturismo, da enogastronomia, tudo é impulsionado, além de atrair novas atividades econômicas, como construção civil, restauração, turismo, viagens, promoção do artesanato e da cultura local.
“Todos ganharão na região, pois a atividade vitivinícola promove um desenvolvimento rural sustentável, bem como um desenvolvimento urbano sustentável. Uma região que produz vinhos é diferenciada”, afirmou Giuliano Pereira.