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Pernambuco, 11 de junho de 2026

Agronegócios

A adutora do Pajeú, o açude de Entremontes e o canal do Sertão

Eleger prioridades faz parte de uma boa gestão

Postado em 11/06/2026 16:50

Colunista

ERA

Há um conceito estruturado sobre a mudança climática em curso no planeta Terra. Não é ao acaso que os últimos têm mostrado que a temperatura do planeta se encontra em ascensão e recordes têm sido quebrados com frequência. É lugar comum a leitura de matérias sobre o mais quente ano de toda a série histórica de registros de dados meteorológicos.

Pois bem, além de processos com forte componente humano, o planeta Terra conta com fenômenos geofísicos que ocorrem há milhões de anos. Um deles é o El Niño, apesar de apenas recentemente ter sido analisado com profundidade e correlacionado com o clima nos diferentes continentes e oceanos. Neste momento, as previsões para um El Niño de alta intensidade são elevadas, apesar de não assegurar que, de fato, o Nordeste testemunhará um ciclo de secas mais intenso do que os registrados nas últimas duas décadas.

Aceleram-se as obras de conclusão da Adutora do Agreste, que conta com tubulações atingindo aproximadamente 700 quilômetros para abastecer municípios como Buíque, Gravatá e Taquaritinga do Norte, algo extremamente louvável. Resta debruçar-se sobre os projetos que constituirão uma segunda fase da ampliação do projeto, destacando-se entre as obras três emblemáticas: a ampliação da Adutora do Pajeú, a alimentação do açude de Entremontes e o Canal do Sertão.

A adutora do Pajeú

Trata-se de um sistema de tubulação de 600 km apto a alimentar vinte municípios do Sertão do Pajeú e oito do estado da Paraíba. Vale esclarecer que o projeto original da adutora, no governo de Roberto Magalhães, o sistema adutor foi planejado para suprir a demanda de Serra Talhada. Ao se incorporar os demais municípios da região, a eficácia do sistema é frágil e não é ao acaso que, nos programas de rádios em Serra Talhada, o órgão mais demandado com reclamações diárias é a Compesa. Nos bairros mais humildes, a situação chega a ser catastrófica, e não é raro depoimentos de que, há duas semanas, a água não chega nas torneiras, embora o boleto mensal seja sagrado.

Há informações de que obras se encontram em estado avançado de reforço nos sistemas de bombeamento e adução, embora seja importante chamar a atenção de que, no ritmo do crescimento demográfico da região e projetando a demanda hídrica para comunidades urbanas para um período de duas décadas, o volume de água a ser transportado pelos canos e o volume de água potável devem ser duplicados de modo que não se demandem falhas e reparos permanentes. Chamando a atenção de que esta demanda deva fazer parte das cláusulas que consistem na privatização da Compesa.

O açude de Entremontes

Trata-se de uma obra que efetivamente pereniza a bacia do Rio Brígida, beneficiando municípios como Salgueiro, Terra Nova, Serrita, alimentando o açude de Entremontes em Parnamirim e continuando com os municípios de Ouricuri, Granito, Exu, Moreilândia e Orocó. Apesar das negociações para integrar o Novo PAC, pouco se tem feito para encarar um custo de dois bilhões de reais. Os valores constantes no orçamento geral da União – OGU são insuficientes para a conclusão dos projetos técnicos. Quanto ao Estado e municípios, pouco se sabe se há aporte financeiro para o projeto.

O canal do Sertão em Pernambuco

No que se refere ao Canal do Sertão, um projeto posto sobre a mesa de negociação com o governo federal ainda no segundo governo de Jarbas Vasconcelos, continua à espera de um milagre. Esta iniciativa tem um elevado impacto social e econômico, desde o oeste de Petrolina até o município de Araripina. Projeta-se a expansão de 35.000 hectares irrigados. Considerando-se que um hectare irrigado, para a maioria das culturas, demanda ao menos dois trabalhadores, apenas no que se refere à produção agrícola estaria se falando em 70.000 postos de trabalho. Este projeto aceleraria o desenvolvimento econômico do Sertão do São Francisco e do Sertão do Araripe, uma vez que mudaria por completo o que se vê como perspectiva econômica da área do Sertão, muito embora tenha que se reconhecer os avanços obtidos nas últimas décadas com a ovinocultura.

A inserção das áreas produtivas em referência, obviamente, exigirá estudos por demanda por alimentos e matérias-primas que complementem e não conflitem com o que se tem instalado no perímetro Petrolina-Juazeiro, embora possa se admitir que, com a consolidação dos acordos comerciais entre o Brasil e a Europa e a perspectiva de que frutas da região possam se fazer presentes nas gôndolas dos supermercados chineses, japoneses e coreanos, a área cultivada com uva, acerola e goiaba possa ser elastecida fortemente.

De onde virão os recursos?

É sabido que o Brasil não tem a capacidade de se endividar permanentemente, como foi o caso dos Estados Unidos, pela emissão sem controle de sua moeda, o dólar. Entretanto, ao se deparar com números que exigem que os três projetos citados não excederiam 35 bilhões de reais, sendo que os de imediata execução seriam a modernização e ampliação da Adutora do Pajeú e o ramal do açude de Entremontes, não chegam a três bilhões. Os 30 bilhões estimados para a execução do Canal do Sertão seriam distribuídos ao longo de cinco a dez anos em ritmo acelerado de execução. Por outro lado, é importante chamar a atenção de que o governo federal dispôs de alocar 80 bilhões de reais para a renegociação e dispensa da dívida do setor do agronegócio. Já no que se refere às emendas impositivas da bancada federal e da bancada estadual de Pernambuco, este valor soma 1,8 bilhão por ano.

Um fato positivo da ameaça que se aproxima, independente de sua dimensão, é que o PISF foi um grande acerto, mesmo que nem sequer se ouvisse falar de Super El Niño quando de sua concepção.

Geraldo Eugênio – Professor titular da UFRPE-UAST